Deputado federal Assís Carvalho classifica Reforma da Previdência como “golpe” e afirma que setor rural será o mais prejudicado.

Por: José Loiola Neto/Política

Em uma entrevista à Eldorado FM, a qual girou em torno de Reforma da Previdência, o deputado federal Assis Carvalho(PT-PI) se posicionou sobre o polêmico tema proposto pelo governo federal e que no momento vem sendo discutida no Congresso Nacional.

Antes de mais nada, Assis lembrou o episódio político ocorrido ano passado e que culminou com a queda da presidente Dilma Rousseff. Ele abordou também sobre a PEC 241, que congela os gastos públicos por 20 anos em setores essenciais como segurança, saúde e educação e fez críticas ao governo do presidente Michel Temer.

Deputado Assis Carvalho em entrevista a FM Eldorado. Foto: José Neto(Arquivo Elesbão News)

Para o parlamentar piauiense, a reforma da previdência da maneira como vem sendo apresentada é na verdade “uma deforma de Estado e de Direito”, na medida em que pessoas que ganham até três salários mínimos para que possam ter direito à aposentadoria terão de trabalhar até os 65 anos, tendo que contribuir por 49 anos de maneira ininterrupta.

– Isso é a garantia de que nenhuma pessoa que não tenha  previdência complementar vai poder se aposentar via previdência pública, sem falar que essa proposta acaba com a qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais humildes, os homens e mulheres do campo, que são pessoas que não tem condição de contribuir com a Previdência.

Na concepção do deputado Assis Carvalho, o setor rural será o mais prejudicado caso a reforma da previdência venha a ser aprovada, haja vista que homens e mulheres do campo para se aposentar terão de contribuir por 49 anos de maneira ininterrupta sem reunir reais condições para tal.

– Para se ter uma noção, o nosso estado e a nossa gente da zona rural convive com a estiagem e baixa produção agrícola, dessa forma essas pessoas não terão nenhuma possibilidade de se aposentar por não terem como contribuir, e diante dessa situação essas pessoas começam a estimular o êxodo rural indo do interior para cidade.

Assis Carvalho disse que a proposta do governo Temer é ruim e não traz nenhuma esperança, por isso ele tem se mobilizado no sentido de contar com apoio de colegas na Câmara tendo em vista derrubar a PEC-287, que trata sobre mudança no sistema de previdência no pais.

– Estamos aqui numa verdadeira trincheira de luta para tentar inviabilizar esse crime que vem sendo praticado contra o Brasil.

Na avaliação do deputado petista, a proposição da reforma da previdência pelo governo se deve o fato de ele não ter recebido voto popular, daí não tem compromisso com o povo brasileiro. Assis disse não ver problema nenhum desde que o governo vá às ruas e apresente a proposta ao povo, que deveria aprovar ou não.

– Mas o assunto não vem sendo tratado dessa maneira, ele(Temer) não quer conversar com a população, quer simplesmente que a matéria passe no Congresso sem nenhuma consulta popular.

Assis disse acreditar numa reviravolta dos parlamentares no que tange a votação da PEC 287, muito embora, no momento a oposição conte com pouco mais de 140 votos, porém de acordo com o deputado, muitos dos parlamentares que foram “signatários do golpe” não estariam dispostos a apoiarem a reforma.

– O governo vem percebendo que vai ter dificuldade para aprovar essa proposta, mas é preciso a gente ir às ruas, dá pressão e enfrentar frente a frente os parlamentares nos estados, nos aeroportos ou onde quer que estejam.

No caso do Piauí, Assis disse que tem pedido que a população converse com os parlamentares, com as câmaras de vereadores, prefeitos e sindicatos.

– Não poderemos dá folga, precisamos evitar que essa proposta absurda seja aprovada.

Assis Carvalho não concorda com a versão de que a Previdência quebrará caso não passe por ajustes e modificações.

– Ela(Previdência) quebra é se fizer a reforma. Hoje, a Previdência não é deficitária, ela está assegurada pela Constituição.

O deputado encerrou dizendo que é contrário a reforma da previdência, pois jamais votaria a favor daquilo que viria a ser ruim aos mais humildes. Ele disse que qualquer proposta que tenha por finalidade prejudicar os trabalhadores e trabalhadoras será sempre contrário

– Tenho voto decidido contra essa proposta que para mim é uma imoralidade.